dezembro de 2008
4. O olho do furacão: vídeos produzidos em 2008
5. Diagramando o tempo: trabalhos com comunicação impressa em 2008
6. Eternizando imagens: fotografias clicadas durante o ano de 2008
8. Perspectivas para 2009
9. Uma poesia para enfrentar a crise
1. AVALIAÇÃO
A Camará passou por seu batismo de fogo em 2008: conseguimos atuar em praticamente todas as áreas a que nos dispomos, enquanto organização, promovendo, na grande maioria dos projetos, conteúdos e formas contra-hegmônicas buscando o fortalecimento das lutas populares e anti-capitalistas. Desenvolvemos atividades de educação popular, promovendo cursos e oficinas; lançamos três vídeos em parceria com entidades representativas dos trabalhadores, elaboramos materiais gráficos e fotográficos junto a grupos artísticos e políticos e participamos da organização da Primeira MOSTRA LUTA! espaço que propiciou a exibição e debate de vídeos de luta dos trabalhadores e movimentos sociais. Um ano de intenso aprendizado que nos ajudou a compreender melhor os desafios de trabalhar e militar com comunicação e educação popular.
A Camará, a partir de 2009, possuirá sede e telefone. O espaço está aberto a todos, sempre com algum camará por lá para tomar um café ou bater uma análise de conjuntura rápida
Anotem aí: Rua Carolina Germando Kokol, 287 fundos – Barão Geraldo – Campinas – CEP 13084-600 / telefone: 33262546
2. NOVO SITE
A Camará está implementando uma nova cara e organização para seu site. Mesmo com as alterações ainda não totalmente finalizadas, você já pode dar uma olhada em nosso novo visual.
3. EDUCAÇÃO POPULAR
A Camará, a convite do Ponto de Cultura MO.LE.CA (Movimento Lésbico de Campinas), realizou o curso “Introdução ao vídeo-documentário como instrumento de educação popular”, de março a junho deste ano, totalizando mais de 64 horas de teoria e prática sobre a estética cinematográfica, teoria do vídeo-documentário, comunicação e capitalismo, comunicação popular, técnicas de filmagem e edição etc. Os participantes do curso, coordenados pelos camarás, produziram o vídeo-documentário “Sapphadas” (leia mais abaixo).
Além desse longo curso, cabe destacar algumas atividades desenvolvidas no segundo semestre: o workshop “Sorria! Você está sendo manipulado!” desenvolvido no SESC Campinas; Oficina de Rádio no Núcleo Santo Dias, em São Paulo; as oficinas de Educação Popular e Comunicação Popular no curso de formação de monitores da ITCP/Unicamp.
4. AUDIOVISUAL
A Camará coordenou a produção do vídeo-documentário “Sapphadas“, resultado do convite feito pelo Ponto de Cultura MO.LE.CA. (Movimento Lésbico de Campinas) para realizar o curso “Introdução ao vídeo-documentário como instrumento de educação popular”. “Sapphadas” foi lançado na IV Mostra de Arte Lésbica de Campinas, evento que contou com a assessoria, fotos e filmagem da Camará. “Sapphadas” retrata o cotidiano de dois casais de lésbicas: como se descobriram lésbicas, como se conheceram, suas dificuldades no relacionamento e os desafios na luta pela afirmação de sua orientação sexual.
Produzimos, também, o “Movimento e Luta! Vídeo-Memória dos 8 anos do Mandato Popular Socialista do Vereador Paulo Bufalo – PSOL” a convite do mandato e o vídeo “Chamada a cobrar – 10 anos da privatização do CPqD/Sistema“, em parceria com o SINTPq (Sindicato dos Trabalhadores em Ciência e Tecnologia).
Realizamos também algumas gravações de atividades culturais e políticas, com especial atenção para o apoio à luta pela Casa de Cultura Fazenda Roseira.
5. COMUNICAÇÃO IMPRESSA
Na área de comunicação impressa, dedicamos parte deste semestre à produção de duas publicações acadêmicas em parceria com a ITCP/Unicamp, a “Empírica”, um caderno de metodologia sobre educação popular em cooperativas populares, e a “Coletiva”, com artigos que refletem sobre extensão universitária, cooperativismo e economia solidária. Estas publicações serão lançados no início de 2009.
Além disso, produzimos materiais para eventos artísticos da cidade, com ênfase para materiais do SESC, além de elaboração de cartazes e folders para atividades culturais da cidade.
6. FOTOGRAFIA
7. primeira MOSTRA LUTA!
A Mostra Luta! vem indicando, também, saldos organizativos. Está em discussão a formação de uma rede de comunicadores populares (nome provisório) que teria como objetivo fortalecer a luta pelo direito à comunicação e o apoio aos movimentos sociais de Campinas e região.
8. PERSPECTIVAS
9. Poesia para enfrentar a crise
para períodos de recessão
ou depressão econômica (Jeff Vasques)
(Um título simples mas provocativo,
como, por exemplo, “O Capital”)
de um banqueiro (ou capitalista similar), coletada à
primeira página de qualquer jornal de grande circulação.]
[Um pequeno preâmbulo
em redondilha maior
- bem ao gosto popular -
que descreva o método
pelo qual
se constrói esta
obra:
a partir da base material
concreta - o poema -
é que se erguem
estes sentimentos e idéias -
a poesia.
Frisar
- pela repetição de versos que aos poucos vão se transmutando -
que é a produção e a
reprodução da vida
(através da classe em que está inserida)
que forja a métrica possível
desta epifania.]
[Uma primeira estrofe
(direta e contundente)
que revele ao leitor
os mecanismos da luta de
classes tomando o cuidado
para não rimar "mais-valia"
com qualquer outra palavra. Melhor é
abrir-lhe o segredo escondido às sete chaves
num verso longo, branco e livre:
trabalho-não-pago expropriado pelo patrão.
Evitar, neste primeiro momento,
jogos esdrúxulos e concretos com
as fases do capitalismo:
M-D-M, D-M-D\', D-D\'
o que, certamente,
afugentará o leitor.
Portanto,
nada de experimentalismos.]
[Uma segunda estrofe
já mais cadenciada e que
abusando das imagens
mostre como
a classe proletária
(que não tem nada a perder
além de seus próprios chavões)
é o único sujeito social capaz
de tomar o poder
e estabelecer
uma sociedade sem classes:
comunista.
(não esqueça da
beleza - mesmo que trágica -
necessária
para seduzir o leitor,
que a esta altura pensa
em abandonar o poema;
se necessário decomponha,
o real em meias-palavras:
comun
ist
a)]
[Uma terceira estrofe que
dialogue com o espanto
do leitor - evoque-o,
convidando-o para um
bate-papo franco
(isso gera um distanciamento cativante!)
Demonstre a
inutilidade da poesia
em tempos obscuros e em países
periféricos
onde reina a mais-valia
absoluta.]
[Uma quarta estrofe
que retome o desenvolvimento
lógico da argumentação iniciada
jogando luz sobre o aparente caos econômico
desvelando a lógica subjacente
às crises cíclicas
de super-
-produção quando
há mercadorias saindo pelo ladrão
e pouco interesse em circulação.
É a revolta das forças produtivas
contra as estratificadas
relações de produção e de propriedade:
é o capital enfrentando o bafo quente
do trabalho.
Explorar a prontidão religiosa
com que os capitalistas
queimam
estoques e trabalhadores
para resgatar
sua utópica taxa
de lucro crescente;
(as palavras GUERRA! e LUCRO! devem aparecer nessa altura
do poema em diversos tamanhos e direções
tensionando o espaço branco da folha)
Por fim, tornar sensível
pelas tônicas cada vez mais regulares
como os ciclos entre as crises
diminuem
e como as crises são cada vez mais
intensas, destrutivas e globais.
(Apenas aqui é permitido fazer referências
metalínguisticas a outros textos
- literários ou não -
que descrevam destruição, miséria e desespero.
Evite o apocalipse bíblico.)]
[Uma quinta e última
estrofe
que explore
com cinismo refinado
qualquer possibilidade
pequeno-burguesa
do leitor
abandonar este poema
e voltar
a sua vida normal.
(Explorar pateticamente as aliterações
e as assonâncias ad nauseam
denunciando, assim, para o bom leitor,
a farsa que é
ler este poema
a busca de algo que
não seja o real.)]
[Posfácio com referência bibliográfica.]






